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ESPERANÇA: PESSOAS QUE MARCAM… (DEZEMBRO DE 2010)


Inaldo Serejo relata uma de suas visitas feitas a Dom Reinaldo Punder, quando já enfermo na Fazenda da Esperança. No relato Inaldo cita algumas atitudes do Bispo em favor dos pobres e pela unidade dos cristãos.  
[...]Era o tempo da Romaria da Terra do Maranhão; ficamos apreensivos, afinal, sua ausência seria muito sentida, pois, entre outras coisas, ele havia incentivado e provocado o diálogo com Pais e Mães de santo das Casas de Culto de origem afro-brasileira para que eles participassem da preparação daquela Romaria.[...]
Dom Reinaldo era Focolarino e como tal vivia o carisma da unidade principalmente com os menos favorecidos. Todo o texto  foi transcrito do Facebook - Mitra Diocesana de Coroatá de confira abaixo:  

ESPERANÇA: PESSOAS QUE MARCAM… (DEZEMBRO DE 2010)


Reinaldo Pünder, Bispo da Igreja Particular de Coroatá, ontem à tarde nos recebeu em sua casa no coração da Fazenda da Esperança. Esta “fazenda” pretende ser um pedaço do céu na Terra e levar às pessoas que transpõem os seus portões um sentimento de que elas podem ser portadoras de ESPERANÇA, mesmo num mundo marcado pelo sofrimento. O Movimento Fazenda da Esperança nasceu para restaurar a imagem do Criador, desfigurada pelas drogas, em milhares de pessoas ao redor do mundo, especialmente nos jovens. 
Encontramos um homem marcado pelo tempo e pela doença que o acomete desde a metade do ano passado quando foi diagnosticado com um câncer no pâncreas. Era o tempo da Romaria da Terra do Maranhão; ficamos apreensivos, afinal, sua ausência seria muito sentida, pois, entre outras coisas, ele havia incentivado e provocado o diálogo com Pais e Mães de santo das Casas de Culto de origem afro-brasileira para que eles participassem da preparação daquela Romaria. Na noite da Romaria, fomos surpreendidos com suas palavras fortes e encorajadoras. Mesmo distante, pudemos sentir sua presença carinhosa e sempre atenta no meio do povo.
Na Carta-Convite para a 10ª Romaria da Terra em Codó, em setembro de 2009, assim se manifestou D. Reinaldo:

“Um dos motivos dessa escolha é o triste e preocupante fato de, especialmente, também a nossa diocese ter voltado a ser palco de um número nunca mais visto de conflitos de terra, esta diocese que nos seus trinta anos de existência perdeu por morte violenta 27 (vinte e sete) dos seus membros como mártires desses conflitos… Como causa desses conflitos apontamos a insensibilidade social de pessoas, grupos e projetos que agridem gravemente lavradores pacíficos dos nossos povoados e o meio ambiente rico e belo do nosso Maranhão. Temos que levantar a voz e tentar reverter esse quadro, propondo alternativas 1000 vezes melhores sob os pontos de vista social, humano, cristão, ecológico e, a longo prazo, inclusive econômico para satisfazer também este aspecto que, isolado dos outros, se tornou um dos mais perigosos ídolos da nossa época, reduzindo-o àquilo que é – não um semi-deus e ídolo que deve ser obedecido a qualquer custo, mas uma dimensão da vida humana num mundo criado pelo Deus – Infinita Sabedoria e Amor e por Ele entregue aos homens para que o administrem com responsabilidade e espírito social-comunitário, e não de ganância irresponsável e violência mortífera”.

Desde o início da Diocese, os camponeses tiveram muito apoio para resistir à fúria e aos ataques dos latifundiários. Mas, a memória do martírio continua nutrindo a caminhada da Igreja de Coroatá, com o apoio irrestrito do Bispo. Na celebração dos 25 nos da Diocese foi entronizada solenemente a Cruz dos Mártires. 
Lembro-me de um fato narrado por Toinha, uma de suas colaboradoras e agente da CPT. Em certa ocasião em que estava reunido o Conselho Diocesano de Pastoral, entrou na sala uma senhora muito aflita. Ela estava indo nos comunicar que as casas de umas famílias estavam sendo derrubadas por um trator, a mando de um poderoso. O Conselho decidiu imediatamente ir ao local. Chegando lá, D. Reinaldo tentou negociar com o responsável pela destruição das casas, porém, como não houve concordância por parte daquele, o Bispo tomou a decisão de colocar-se entre o trator e a casa e mandou o operador da máquina passar por cima dele. Coragem profética!
Ontem, ele nos recebeu com muita alegria – uma alegria contagiante de quem depositou toda confiança em Deus. Acolheu-nos em seu quarto, falou-nos de sua esperança e da sua crença no tratamento completamente natural que estava fazendo. Impressiona a vivacidade de sua memória, apesar da fragilidade de seu corpo. 
Recentemente ele aceitou receber uma transfusão de sangue para ajudar na recomposição e produção de plaquetas.
Enfim, no meio de sua gente ele está feliz, completando em sua carne o que falta à paixão de Jesus em benefício do seu corpo que é a Igreja, como ensina o apóstolo Paulo. Ele continuava preocupado com a situação de sofrimento dos povos indígenas, quilombolas, posseiros, quebradeiras de coco... Vai continuar oferecendo o que pode agora – suas orações e sofrimentos carregados de esperança. Ao sairmos, ele nos abençoou e pediu a Deus que nos mantenha firme na defesa dos Direitos dos pequenos. 
Deixamos a Fazenda da Esperança, porém enriquecidos com a pobreza do Bispo. 

Inaldo Serejo



Redação: 
Texto Principal: Inaldo Serejo
Adaptação e edição: Auzenir - PASCOM
Foto: Google

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