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Editorial

Que Igreja sonhamos para a Amazônia? Padre João Evangelista fala sobre o Sínodo da Amazônia


O SÍNODO DA AMAZÔNIA



A diocese de Coroatá em comunhão e preparação do Sínodo da Amazônia, envolveu a Igreja particular, que forma nossa diocese, em oração, partilha e estudo a serviço da vida e da justiça desse 
bioma tão vulnerável e ameaçado.

O Papa Francisco, ouvindo o clamor dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais da floresta, refletiu a questão, lançando a Carta Encíclica Laudato Si - Louvado seja, sobre o Cuidado com a Casa Comum. 

A REPAM - Rede Eclesial Pan-Amazônica, promoveu seminários de escuta em toda região Amazônica, incluindo outros países da América Latina, para refletir os desafios da evangelização. Sendo o primeiro passo da gestação do Sínodo, com o apoio de Dom Erwin Krautler, bispo emérito do Xingu – PA. 

O Papa Francisco visitou vários países da América Latina, onde criou pontes de diálogo para favorecer a proximidade, “sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta” (LS 14). Escutou lideranças sociais, povos indígenas, e as ameaças contra a vida, vinda dos grandes projetos de mineração e exploração das riquezas da Amazônia. 

Na convocação do Sínodo, dia 15 de outubro de 2017, ao final da Missa de canonização dos protomártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu (RN), o Pontífice ressaltou:  “o objetivo principal desta convocação é, identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”. 

É um grito de socorro que a Igreja escuta, e toma a importante decisão de realizar o Sínodo para refletir os desafios de uma região tão grandiosa, com sua biodiversidade para defender a criação. 

Interessante entender a metodologia, que favorece o entrosamento de todos os ameaçados pela cartilha neoliberal, da seguinte forma: primeiro - ver a realidade, com a escuta dos clamores da Pan-Amazônia, a segunda parte: discernir para uma conversão pastoral ecológica, por último, agir com novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico. 

Na primeira parte do ver, em nossa diocese, decidimos escutar os impactados pelo modelo econômico excludente, presentes nos municípios dos quatro zonais da nossa Igreja Particular. 

Tivemos uma agenda de quatro seminários nos zonais, onde as comunidades tradicionais (Quilombolas, mulheres extrativistas, ribeirinhos, pescadores artesanais e posseiros), contaram suas lutas e resistências em defesa dos seus direitos ameaçados pelos grandes projetos, tais como: Agronegócio (MATOPIBA), Vale (mineração) Linhão da Eólica (energia) Campos naturais da Baixada (cercas e bovinos). São clamores causados pelas desigualdades sociais. 

Na Segunda parte é o discernimento: fazer um discernimento a partir da Laudato Si, e da Palavra de Deus que nos ajuda a adentrar na dinâmica da vida do povo. Sabemos que Jesus fez opção: "Eu vim para que todos tenham vida" (Jo 10, 10). Entender a missão de Jesus é muito importante para discernir sobre os problemas de uma sociedade ferida pela ambição do capital. 

Sabe-se que é uma questão egoísta de exploração da criação, a fim de beneficiar grandes impérios econômicos. Tem muita coisa em jogo, onde o mais importante não é a vida, e sim o modelo neoliberal, que em nome do desenvolvimento estão destruindo a criação. 

E Jesus em sua missão sempre defendeu a vida, colocando-se como centro de sua vida, a vontade de Deus. Sua fidelidade à causa do Reino causou-lhe a condenação e morte por causa da justiça. 

Os apelos do Papa Francisco apontam caminhos para a humanidade: “O Reino que se antecipa e cresce entre nós abrange tudo" (EG 181). A relação constitui um vínculo que está "interligado com o mundo" (LS 16). 

Sendo uma dimensão relacional de uma ecologia integral para cuidar da riqueza da criação. São necessários três aspectos: relação com Deus, relação com o próximo e relação com a criação. 

Existe uma relação profunda Deus com a natureza, desde a criação, no livro do Gênese, onde “tudo que foi criado era muito bom” (Gn 1, 31), e confiou a nós o cuidado com criação. 

Enfim, a última parte trata-se do agir, que é a ação concreta a partir do tema do Sínodo: Amazônia novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral. 

Aqui cabe uma pergunta importante: Que Igreja sonhamos para a Amazônia? São várias perguntas, a fim de chamar a atenção da Igreja para encontrar novos caminhos, e escutar com sabedoria os povos à luz do Evangelho.

Louvado Seja! 
Pe. João Evangelista

imagem da internet google -  http://www.defesanet.com.br

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